O autor de hoje é o Márcio Padrão, dono de um dos meus guias, o Quadrisônico.

Todo mundo devia conhecer: Alan Moore
Fui convidado para esta seção do blog de Vinícius e daí fui fazendo um brainstorm. Tem muita coisa que eu queria que as pessoas conhecessem, mas a maioria dessas coisas já são merecidamente conhecidas e reconhecidas. Beatles, R.E.M., Kubrick, White Stripes, Marvel, Star Wars…
Até que me deparei com um cara que, vai lá, é considerado um ícone absoluto, mas em uma mídia que, mesmo com o reconhecimento evidente dos últimos anos, ainda é um nicho se comparado ao cinema e à TV, por exemplo. Então as pessoas que ainda não conhecem e/ou não leram nenhum trabalho dele deviam conhecer Alan Moore. Imediatamente.
Não pretendo expor aqui a biografia inteira do cara, mas um resumo rápido se faz necessário. Este britânico barbudo de 57 anos é provavelmente o melhor autor de quadrinhos de todos os tempos. Não quero assim desmerecer gente do altíssimo calibre de Will Eisner, Stan Lee, Grant Morrison, Osamu Tezuka, Itto Ogami, Albert Uderzo, Frank Miller, Neil Gaiman e lá vai lista. Mas é que se alguém já leu umas três obras dele - ou até uma, dependendo do caso - vai entender que não está encarando coisa pequena.
Como quase todo gênio, Moore não é fácil de classificar. Até mesmo pela natureza de suas escolhas; assim como Stanley Kubrick, fez questão de trabalhar com qualquer gênero narrativo no qual pudesse imprimir sua marca. Fez super-herói, ficção científica, erótico, aventura pulp, história de monstro, e causou sua revolução em cada um desses.
Entretanto, certas coisas podem ser comuns ao estilo de Alan Moore. Ele faz algo como uma contracultura pop contemporânea, oscilando aspectos como misticismo, política, horror, teoria do caos, sensualidade e heroísmo - tudo ao mesmo tempo sem perder de vista um caminhão de referências em diversas áreas e artes e uma grandiloquência que faz jus às suas pretensões - que, diga-se de passagem, são imensas na maioria das vezes.
Com a saga anarco-futurista “V de Vingança”, em 1982, foi descoberto. Escrevendo por algum tempo nos anos 80 o Monstro do Pântano, personagem de horror da DC Comics, foi apresentado ao mundo. Com “Watchmen” e “Batman - A Piada Mortal”, revolucionou para sempre não apenas o universo dos super-heróis, mas imprimiu um nível nais elevado de profundidade filosófica e estética a ser alcançado pelos quadrinhos enquanto arte.
Com o “documentário” em HQ sobre Jack o Estripador “Do Inferno”, já nos anos 90, mostrou que o quadrinhista não pode se privar de uma boa pesquisa de campo para contar histórias complexas - ainda mais se forem verídicas. Com “A Liga Extraordinária”, experimentou o quanto pôde seu imenso caldeirão de referências sem perder a pegada pop.
Tem mais, claro. Mas você precisa conhecer, não é verdade? Talvez seja importante destacar que até ele teve seus pecados, portanto se alguém quiser te convencer que os trabalhos dele para a Image Comics são bons, desconfie.
Por hora, só te deixo com uma frase de Alan Moore - posta nos lábios esticados do Coringa - que talvez sintetize o cara mais do que tentei aqui: “Assim quando você estiver dentro de um desagradável trem de recordações, seguindo para lugares do seu passado onde o riso é insuportável… lembre-se da loucura. Loucura é a sala de emergência”.
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