blogdobracin

Se estivesse vivo Júlio Verne teria 183 anos! (Quem mais curte essas ótimas suposições em toda matéria sobre a data de aniversário de pessoas mortas?)

Em homenagem a Júlio o símbolo do Google hoje faz referência a “Vinte Mil Léguas Submarinas”. Só que não é mais um desenho diferente como de costume. Você pode comandar o submarino e ficar passeando pelo mar. Não dá pra ir longe, mas é legal gastar um minutinho lá para ver o desenho todo.

Você conhece o link para o site, né? Na dúvida clique na imagem.

"O dia seguinte é muita disciplina; é espartano quando imaginávamos pura Atenas."

trecho da crônica “No Kursk, com os russos”

Aliás, tive o prazer de conhecer o Xico e pegar dois livros autografados umas semanas atrás. Gente fina demais. “Para o Vinicius, que tem o nome do poeta das mulheres”.

Desejo 1/10 da habilidade com as mulheres que o poeta tinha, Xico. Acho que é suficiente.

Olha essa tirinha do Henrik Lange, resumindo “O estrangeiro” do Camus, que eu vi no blog do Almir de Freitas. Demais.

clique na imagem para visualizar melhor.

O Henrik resumiu mais 89 clássicos da literatura em 4 quadrinhos, como o Almir disse, um exercício de síntese e bom humor. Leia o post dele para saber mais. 

                            

Já li biografias dos Beatles e do John Lennon, agora estou nessa do Paulinho, um presente do Vitor (empréstimo na verdade). 

Livrão, mais de 700 páginas. De cara gostei muito do trecho que o Paul fala sobre o primeiro violão e como descobriu que ser canhoto trazia certo “problemas”. Gostei disso pois eu e o Vitor temos o mesmo defeito.

"… consegui o violão, voltei para casa e nem fazia idéia  de como tocar aquilo. Não percebi que era por ser canhoto. Só descobri que usava o violão do lado errado quando com uma foto de Slim Whitman, que também era canhoto." 

Quando Paul inverteu o encordoamento , descobriu que o cavalete e a pestana eram fixos e não tinham como ser colocados ao contrário (…)

"Era tudo muito pouco exato. Nunca tive um instrumento bom de verdade, mas isso não importava (…) De algum modo, aprendemos a nos virar"

Tradução: Marcio Vilela - DBA, 2000

Para saber mais sobre o livro vale ler essa resenha do André Fiori para o Scream & Yell

Já tinha comentado sobre os quadrinhos do Woody Allen indicando um post da Juliana Cunha que explica a história toda. 

Agora lendo o blog da Raquel acabo de descobrir que a Desiderata vai lançar aqui no Brasil a coletânea das tirinhas. Muita alegria.

Sempre boa a noticia de que um livro que só estava disponível via sebos ou na versão importada vai ficar fácil de comprar.

PS: Li, escutou? Fácil de comprar! 

Que combinação, amigo.

Joga Matias!

foto do último show do Nirvana - Terminal 1, Flughafen Muchen-Riem em Munique.

"Quando os Melvins terminaram, Kurt caminhou para o seu camarim e relacionou uma longa lista de problemas para Buzz Osborne. Buzz jamais o vira tão atormentado, nem mesmo quando Kurt havia sido expulso da casa de Wendy nos tempos do colégio. Kurt anunciou que ia se separar da banda, demitir sua administração e divorciar-se de Courtney. Antes de entrar no palco, Kurt anunciou a Buzz: "Eu deveria estar fazendo isto sozinho". "Em retrospecto", observa Buzz, "ele estava falando sobre sua vida inteira".     trecho de “Mais Pesado que o céu”, Charles R. Cross

começando de vez os posts sobre Cobain na semana que sua morte completa 16 anos. 

"

No tempo da semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta.

Conduz teu carro e teu arado por sobre os ossos dos mortos.

A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria.

A Prudência é uma solteirona rica e feia, cortejada pela Impotência.

Quem deseja, mas não age, gera a pestilência.

O verme partido perdoa ao arado.

Mergulha no rio quem gosta de água.

O tolo não vê a mesma árvore que o sábio.

Aquele, cujo rosto não se ilumina, jamais há de ser uma estrela.

A Eternidade anda apaixonada pelas produções do tempo.

A abelha atarefada não tem tempo para tristezas.

As horas de loucura são medidas pelo relógio; mas nenhum relógio mede as de sabedoria.

Os alimentos sadios não são apanhados com armadilhas ou redes.

Torna do número, do peso e da medida em ano de escassez.

Nenhum pássaro se eleva muito, se se eleva com as próprias asas.

Um cadáver não vinga as injúrias.

O ato mais sublime é colocar outro diante de ti.

Se o louco persistisse em sua loucura, acabaria se tornando Sábio.

A loucura é o manto da velhacaria.

O manto do orgulho é a vergonha.

As Prisões se constróem com as pedras da Lei, os Bordéis, com os tijolos da Religião.

O orgulho do pavão é a glória de Deus.

A luxúria do bode é a glória de Deus.

A fúria do leão é a sabedoria de Deus.

A nudez da mulher é a obra de Deus.

O excesso de tristeza ri; o excesso de alegria chora.

O rugir de leões, o uivar dos lobos, o furor do mar tempestuoso e da espada destruidora são fragmentos de eternidade grandes demais para os olhos humanos.

A raposa condena a armadilha, não a si própria.

Os júbilos fecundam. As tristezas geram.

Que o homem use a pele do leão; a mulher a lã da ovelha.
O pássaro, um ninho; a aranha, uma teia; o homem, a amizade.

O sorridente tolo egoísta e o melancólico tolo carrancudo serão ambos julgados sábios para que sejam flagelos.

O que hoje se prova, outrora era apenas imaginado.

A ratazana, o camundongo, a raposa, o coelho olham as raízes;
o leão, o tigre, o cavalo, o elefante olham os frutos.

A cisterna contém; a fonte derrama.

Um só pensamento preenche a imensidão.

Dizei sempre o que pensas, e o homem torpe te evitará.

Tudo o que se pode acreditar já é uma imagem da verdade.

A águia nunca perdeu tanto o seu tempo como quando resolveu aprender com a gralha.

A raposa provê para si, mas Deus provê para o leão.

De manhã, pensa; ao meio-dia, age; no entardecer, come; de noite, dorme.

Quem permitiu que dele te aproveitasses, esse te conhece.

Assim como o arado vai atrás de palavras, assim Deus recompensa orações.

Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da educação.

Da água estagnada espera veneno.

Nunca se sabe o que é suficiente até que se saiba o que é mais que suficiente.

Ouve a reprovação do tolo! É um elogio soberano!

Os olhos, de fogo; as narinas, de ar; a boca, de água; a barba, de terra.

O fraco na coragem é forte na esperteza.

A macieira jamais pergunta à faia como crescer; nem o leão, ao cavalo, como apanhar sua presa.

Ao receber, o solo grato produz abundante colheita.

Se os outros não fossem tolos, nós teríamos que ser.

A essência do doce prazer jamais pode ser maculada.

Ao veres uma Águia, vês uma parcela da Genialidade. Levanta a cabeça!

Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para deitar seus ovos, assim o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas.

Criar uma florzinha é o labor de séculos.

A maldição aperta. A benção afrouxa.

O melhor vinho é o mais velho; a melhor água, a mais nova.

Orações não aram! Louvores não colhem! Júbilos não riem! Tristezas não choram!

A cabeça, o Sublime; o coração, o Sentimento; os genitais, a Beleza; as mãos e os pés, a Proporção.

Como o ar para o pássaro ou o mar para o peixe, assim é o desprezo para o desprezível.

A gralha gostaria que tudo fosse preto; a coruja, que tudo fosse branco.

A Exuberância é a Beleza.

Se o leão fosse aconselhado pela raposa, seria ardiloso.

O Progresso constrói estradas retas; mas as estradas tortuosas, sem o Progresso, são estradas da Genialidade.

Melhor matar uma criança no berço do que acalentar desejos insatisfeitos.

Onde o homem não está a natureza é estéril.

A verdade nunca pode ser dita de modo a ser compreendida sem ser acreditada.

É suficiente! ou Basta.

"

Depois de entrevistar o Marcelo Costa fiquei curioso para ler o poema do William Blake que ele tanto citou.

Encontrei os “Provérbios do Inferno” num do texto do próprio Marcelo. 

Caso nunca tenha lido preste atenção e não se assuste caso comece a pensar como tanta coisa que você já leu é piada perto de um texto como esse.

Entendido porque ele gosta tanto do Blake. Muito bem entendido.

Se não me engano era Hunter Thompson que gostava de datilografar seus textos favoritos para tentar sentir o que o autor sentiu ao escrever aqueles trechos que ele considerava incríveis. Vi isso numa matéria da Rolling Stone, acho.

Primeiro achei a prática boba, mas pensei melhor e achei a idéia excelente e fiquei de experimentar um dia.

Desde que ganhei ” Um Atrapalho no Trabalho” do Lennon achei o texto ideal para fazer isso pela primeira vez. Por dois motivos: um texto foda e pouco conhecido.

Traduzido por Paulo Leminksi o livro de Lennon tem um longo posfácio divido em 10 pequenas partes onde Leminski esclarece o complicado processo para traduzir as misturas e a linguagem experimental de Lennon, além de abordar as referências, contextualizar e explicar certas escolhas de tradução - Leminski deixa em aberto todo o processo e conclui de forma brilhante no trecho que deixo postado aqui.

lá vai:

————-

Existe alguma coisa de propositalmente desejaitado, awkward, clumsy, gauche, na linguagem de Lennon. Como se, como Oswald de Andrade, ele temesse escrever “certo demais”. Só isso bastaria para fazer dele um escritor de relevo, num mundo, como a literatura, onde ainda e sempre acabam imperando a frase certa, a gramática “correta”, a ortografia ortodoxa e os efeitos garantidos, o terno e gravata.

Mas só as estrepolias, peraltices e malcriações de linguagem não bastariam para definir a arte textual do beatle.

É genial sua fantasia fabular e ficcional, capaz de urdir enredos e pequenas intrigas com ingredientes ínfimos, sempre sob o signo do imprevisto tragicômico. Através de um espírito lúdico, muitas vezes, aparentemente, destrambelhado e arbitrário, passa todo o sopro do nosso tempo: a irreverência de uma época post-utópica, cética, crítica, cínica, que já riu de todos os deuses, e transformou a vida em espetáculo e show, enquanto The Day After não vem.

Na prosa de Lennon, está toda a Inglaterra careta, onde a Beatlemania e a revolução dos jovens caiu como uma bomba H. A galeria dos pais e senhores, que pensam conhecer o significado da vida.

A mediocridade canalha da vida política (“General Erection”). A mediocridade doméstica do dia-a-dia da pequena classe média. As mães megeras. Os homens de negócios e pais operários que não sabem que tudo mudou e que os filhos adolescentes riem de seus códigos de postura, sua moral, sua tabela de objetivos na vida, as filhas menores fazem sexo grupal, os filhos dão a bunda e tomam pico, todos candidatos a uma “Magical Mystery Tour” em direção a “Strawberry Fields” , como membros, groupies ou tietes de uma das “Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club band”, que pululariam às centenas de milhares.

O garotão de origem operária que fumou maconha no banheiro do Palácio de Buckingham, um pouco antes da Rainha condecorar os Beatles com a mais alta comenda do Reino Unido, brincava em serviço.

E brincava alto, brincava pesado, brincava leve, brincava brabo, brincava lindo, Lennon rindo.

Vamos brincar com ele.

Paulo Leminski

Curitiba, 8 de Dezembro de 1984

Como bem disse o @erikgustavo, os livros do Sherlock Holmes não tem o Downey Jr. e não são dirigidos pelo Guy Ritchie, porém, eu digo, eles ainda assim são bem divertidos.

Caso você não tenha lido ainda, se interessou e quer economizar uma grana, todas as histórias do detetive publicadas pelo seu criador, Sir Arthur Conan Doyle, estão disponíveis nesse excelente site sobre o detetive: http://www.sherlockbrasil.com/

Para localizar os links com as histórias é fácil: Sherlockiana Essencial, O Cânone.

Boa leitura.