Não sei se o culpado pela falta de bons shows em Ribeirão é o público, mas ajudar ele não ajuda. Ribeirão Preto é uma cidade que paga caro para shows que lembram mais festas, onde o artista parece mais um bônus junto com o open bar. Mas quando Mallu Magalhães aparece para tocar em um evento do Sesc que custa duas latas de leite para ajudar uma Instituição que ajuda pessoas com Aids quase ninguém aparece para assistir.
E quem apareceu mostrou não sacar muito sobre a menina no palco. Logo nas primeiras músicas um cara ficava berrando pedidos e atrapalhando as canções. Na frente dela adolescentes conversavam e se preocupavam mais com as fotos que tiravam. Restou para Mallu, que começou acompanhada só do seu violão, ficar constrangida. Porém, fora os momentos em que a platéia faz você sentir vergonha da sua cidade o show seguiu muito bem.
Não sei se era pelo roteiro da turnê ou pela ocasião especial, era o penúltimo show da turnê do seu segundo disco, Mallu fez um começo intimista e muito acertado. Amparada por covers de Jorge Ben, Caetano, Billie Holiday e Dylan ela mostra que seu talento na é só na capacidade de compor tão nova, mas também em cantar e tocar muito bem o material que ela gosta. No set ainda tinha marcado uma do Cazuza “Eu preciso dizer que te amo”, mas que acabou nem sendo tocada.
Mallu é compositora, uma artista de verdade. Não espera pelo marketing ou por uma grande estratégia para lançar suas músicas. Um dia antes do show tinha lançado um vídeo caseiro no Facebook para registrar uma música nova e fechou sua parte solo no show tocando a canção novíssima. Ela joga bonito para um público que parece não entender. A disposição do repertório é inteligente, mas as pessoas querem os sucesos logo. Um problema que não é exclusividade de Ribeirão.
Quando a banda sobe ao palco o foco do repertório sai das influências e cai nas músicas que estão nos dois discos da cantora. Ainda que bem divido ela privilegia o segundo e melhor disco. Mas as mais esperadas são as já marcadas “Tchubaruba”, “J1” e “Vanguart”. Era por “Vanguart” que aquela cara chato berrava, procurei por ele nesse momento e deu pra ver que ele não sacava muito a letra da suposta favorita dele. Mas tentou cantar junto.
Deve ser por esse motivo que o setlist que fica perto da Mallu e parece ter sido escrito por ela mesmo com canetinha colorida lembra entre uma certa faixa e outra algo do tipo “Muito obrigado”, lembrando a cantora, famosa por sua distração, de agradecer o público. Pela educação do platéia em breve nos ingressos também deve vir um lembrete para que eles lembrem de prestar atenção no show.

